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O mesmo aparelho mostra um posto de gasolina a alguns quarteirões - e o melhor: com gasolina em promoção. Depois da parada estratégica, é a vez de seguir ao destino final. Não há por que se preocupar com um lugar para parar o carro, afinal a tela exibe não só os estacionamentos da vizinhança mas também eventuais descontos oferecidos por sua seguradora e o número de vagas disponíveis em cada um deles. Tudo rápido e simples. A experiência parece futurista, mas ilustra uma realidade próxima e inevitável para os aparelhos de navegação por GPS (sistema de posicionamento global, na sigla em inglês). Esses sistemas vêm ganhando a inteligência dos computadores portáteis e a conectividade da banda larga móvel. Ligados à internet, os aparelhos estão ganhando vida e, em pouco tempo, em quase nada lembrarão a época em que funcionavam como meros indicadores de caminho. Os navegadores de GPS serão uma plataforma online de exibição de informações. Quem faz uma busca por um endereço de restaurante no Google recebe a informação em forma de texto. Quem fizer uma busca num GPS vai receber a mesma resposta indicada no mapa. Hoje, no Brasil, já existem aparelhos com microantenas capazes de captar informações em tempo real sobre as condições do trânsito e caminhos alternativos. Ainda não foram lançados por aqui aparelhos que permitam que o motorista faça buscas de serviços diretamente no GPS, mas é uma questão de tempo. Chips semelhantes aos dos telefones celulares farão a conexão do GPS à rede e permitirão que os aparelhos interajam com a internet. Os serviços de trânsito hoje dependem das frequências de rádio - a Movix tem um acordo com a rádio Bandeirantes para a transmissão das mensagens. Na esteira do crescimento dos GPS conectados, amadurecem também os serviços de localização. De acordo com a consultoria americana ABI Research, mundialmente o número de usuários deve subir de 12 milhões em 2006 para 315 milhões até 2011, impulsionado pela popularização de serviços de navegação e até de localização de pessoas por meio de redes sociais. Os GPS de hoje, especialmente no Brasil, já trazem na memória diversos pontos de interesse que podem ser acessados pelo motorista, como bares, restaurantes, parques, cinemas, hotéis e postos de gasolina. Tais informações são pré-carregadas no aparelho de GPS pelo usuário, transferidas por meio de um pen drive. Não é possível encontrar indicações diferentes daquelas que estão incluídas na memória. Essa limitação está perto do fim com a ligação do GPS à internet. "Como num sistema de busca, com os navegadores conectados, a programação semanal do cinema ou o restaurante que mudou de endereço poderão ser consultados diretamente na rede em tempo real", diz George Perros, analista da ABI Research. É claro que essas funções vão depender muito das parcerias que os serviços de localização devem firmar com as fontes de informação. Na Europa, essas parcerias estão bem avançadas com cadeias hoteleiras, que informam ao motorista imediatamente se há quartos disponíveis, de que categoria e que cartões de crédito aceitam. A era do GPS conectado também promete revolucionar a publicidade online. O usuário poderá visualizar no mapa o logotipo de bancos, imobiliárias ou agências de veículos, como já acontece no serviço de localização Apontador MapLink na internet. Tudo isso é possível graças às camadas sobrepostas no mapa e que podem ser refinadas pelo usuário de acordo com aquilo que quer visualizar. Segundo ele, até o fim do primeiro semestre será possível observar serviços do gênero no Brasil. "Isso só depende da preparação dos equipamentos e do software para interagir nessa tecnologia", afirma Hohagen. Também há divergências ainda não resolvidas sobre as fronteiras entre os serviços informativos e os publicitários na tela do GPS. Não há um modelo definido, mas tudo indica que, quando a publicidade na telinha virar realidade, o usuário poderá decidir o tipo de mensagem que admite receber, semelhante ao que já existe para marketing por e-mail. Hoje, os pontos de interesse são considerados conteúdos e são incluídos com base em uma avaliação do local por uma equipe especializada. Ninguém paga para estar lá. "Quanto à publicidade, é necessário um modelo opcional para que os aparelhos não sejam invadidos por propaganda", diz Luis Filipe Costa, coordenador de marketing da Movix. O acúmulo de funções no GPS também gera preocupações por parte dos especialistas em trânsito. Mercado em ebulição "É bem possível que agora países como o Brasil nem precisem passar pela era do GPS desconectado. Isso representa um salto tecnológico para os novos usuários", diz Tim Shepherd, analista da consultoria americana Canalys. O que não resta dúvida é sobre o potencial de efeito comportamental da tecnologia do novo GPS. Em tempos de convergência avançada, não será de estranhar que o GPS vá além do papel de guia geográfico, passando não só a ditar o caminho ao motorista mas interferindo até nos padrões de consumo. |
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