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| Por William Tomaz
Olá, meu nome é Tião, sempre fui um cara responsável, trabalhador, se eu entro às 7h no serviço, às 6h45 já estou na porta da empresa. Comecei a trabalhar cedo, aos 14 anos fui Office boy de um escritório de contabilidade, mais tarde, trabalhei numa oficina mecânica de automóvel, estudava a noite, fiz colegial normal. Atualmente, trabalho como Frentista-Caixa num Posto de Combustível. Desde que trabalho lá nunca me atrasei, conheço toda a clientela, procuro estar sempre impecável com meu uniforme, conheço aquele posto como a palma de minha mão. Em abril do ano passado, passei pelo quinto dono do posto desde que comecei a trabalhar lá. Aquele posto era um elefante branco, era uma fria para quem o adquirisse, pois, já foi “bandeirado” e perdeu a bandeira, já vendeu combustível adulterado, enfim, estava com o ponto queimado. Mas percebi que o novo patrão, além de ser uma pessoa jovem, não via aquilo como uma fonte de renda, mas tratava o posto como uma verdadeira empresa. Ele fez questão de mostrar que, a partir daquele momento, o posto não seria mais o mesmo. Toda manhã ele fazia questão de conversar com a gente, falava a respeito do que queria fazer no posto e pedia nossa colaboração. A gente sugeria muitas coisas, pois, ficávamos animados e falávamos das decisões erradas que os outros tomaram. Uma das nossas opiniões ele atendeu de imediato, mandou pintar o posto todo. Ficou muito bom! Os clientes elogiavam bastante. Até aumentou o movimento! Ele gostava do meu trabalho, meu caixa sempre batia, às vezes, eu ficava até mais tarde para achar a diferença. Até que um dia, depois da minha folga, cheguei ao posto e, no balcão do caixa, eu encontro uma tela com mouse e teclado. Foi quando o “patrãozinho” me disse que era um presente para eu poder controlar tudo mais facilmente. Pensei comigo - Finalmente! Mas, ao mesmo tempo me bateu um desespero: eu nunca havia, ao menos, ligado um computador... Cheguei em casa arrasado. Antes de ir lá no fundo, onde Dinorá faz suas encomendas, fui direto para o chuveiro tomar um banho. Quando fui dar um beijo nela ela já veio me perguntando o que houve, disse que viu meu semblante preocupado. Contei o que aconteceu e ela disse que tinha uma escola de informática perto de casa onde poderia fazer um curso... Ela sempre foi esperta com esse negócio de computador, ela me mostrou como cadastra seus clientes, quantos salgadinhos ela precisa fazer esta semana, quanto ela tinha para receber, o que ela precisa comprar, se ela atendeu uma encomenda para um aniversário no ano passado ela liga uma semana antes do aniversário desse ano para saber se o cliente vai fazer encomenda novamente, é incrível, tudo ali na tela do computador. Mas estou muito velho para isso e começar a estudar novamente... está fora de cogitação, eu tenho 45 anos! No dia seguinte, o patrãozinho ofereceu a mim e ao Jair, por sermos “os mais antigos do posto”, um curso básico de informática. É, não tinha como escapar! Também, se fosse deixar por minha conta eu ia enrolar e não usar aquele computador nunca! Perderíamos eu, o posto e os clientes... Achei muito legal ele me dar essa oportunidade e acreditar no meu potencial. Aos poucos fui entendendo como funciona o sistema e acompanhei toda a evolução daquele posto, é incrível o que uma ótima administração aliada à tecnologia pode fazer. Mudou aquela empresa da água para o vinho. Não é todo mundo que tem um patrão assim, mas todo patrão que é assim, com certeza, conquista a parceria de seus funcionários e clientes. Afinal de contas a satisfação é contagiante. Hoje sou gerente, controlo tudo, até horas extras de funcionários... Gostei da experiência... Bem que eles podiam nos ensinar como gravar músicas da internet, assim eu gravaria um CD com umas músicas bem bonitas pra minha mulher Dinorá. |