Muitos revendedores estão aderindo a um antigo meio de pagamento na tentativa de alavancar as vendas. Trata-se do famoso fiado, forma de pagamento onde o cliente pode pagar suas contas depois. Basta apresentar no posto revendedor comprovante de residência, cópia do CPF e RG e preencher um cadastro do próprio posto para que o cliente comece a abastecer. Esse cadastro pode ser individual ou familiar.

Até aí, tudo muito simples. As complicações começam no momento de receber essas contas. Isso porque muitas vezes os cadastros não são preenchidos corretamente, não estão completos e não existe controle e nem limites para o abastecimento. Além disso, o único comprovante do abastecimento continuará sendo em muitos casos, uma nota fiscal ou cupom assinado pela pessoa que abasteceu, além de um boleto simples. Em caso de inadimplência, a cobrança e o recebimento se tornam mais complicados, já que isso exigiria o trabalho de um escritório jurídico para mover a ação de cobrança contra o inadimplente. Dependendo do valor, seria inviável mover a ação de cobrança, já que os honorários advocatícios seriam muito maiores do que os valores que se teria a receber do inadimplente. Apenas como exemplo: se a venda fosse feita através de cheque pré-datado, a cobrança seria mais simples, já que haveria a possibilidade de um protesto, o que obrigaria o cliente, mais cedo ou mais tarde, a resgatar seu cheque para regularizar sua situação junto ao banco.

Não que a venda através de cheques pré-datados seja a nossa recomendação. Pelo contrário, tanto os pré-datados quanto a venda pelo fiado podem comprometer toda a saúde financeira da empresa, já que, quanto maior for à venda nessas modalidades, maior será a necessidade imediata por capital de giro até que haja o efetivo recebimento.

Por estes motivos, todo cuidado é pouco. Se o revendedor for optar por vender fiado, deve ter muito critério e bom senso. Se o fiado existir, ele precisa ser controlado meticulosamente. Sem controle, a empresa passa a criar a dependência desses recursos para não fechar no vermelho. Daí, no primeiro caso de calote ou inadimplência de valores significativos, tudo ficará comprometido.

Antes de optar por vender fiado, não pense apenas em galonagem, em quantidade. Lembre-se de que toda venda realizada precisa ser uma venda sadia.

 
 

Marcelo Moreira
Consultor